A chegada dos PCs com processador ARM ao grande público acaba de dar um passo importante rumo à normalização: a Microsoft anunciou que a aplicação Xbox passa, finalmente, a ser compatível com estas máquinas.
PCs com processador ARM e a aplicação Xbox: compatibilidade que faltava
Em 2024, a Qualcomm voltou a apostar seriamente no mercado dos computadores pessoais ao lançar processadores Snapdragon para PC. Por recorrerem a uma arquitectura ARM, estes chips tendem a oferecer menos desempenho bruto do que os CPU “tradicionais” x86, mas compensam com vantagens muito valorizadas no dia a dia, como menor consumo energético e, por consequência, maior autonomia.
O problema é que, apesar desses benefícios, os PCs ARM carregavam um entrave difícil de ignorar: incompatibilidades com muitos programas. É precisamente aqui que a Microsoft avança agora, ao confirmar que a aplicação Xbox já consegue correr em computadores equipados com este tipo de CPU.
O que muda na prática para jogadores (Xbox, Game Pass e cloud)
Esta era uma funcionalidade aguardada há muito e, segundo a Microsoft, já está disponível para toda a gente. Na prática, basta transferir a aplicação Xbox e aceder aos jogos de que gosta.
Ainda assim, há nuances importantes:
- A Microsoft indica que “apenas” 85% dos jogos são compatíveis.
- Existe também a questão da potência: vários títulos podem revelar-se exigentes demais para certos PCs ARM, dependendo do jogo e da configuração.
Mesmo assim, há uma alternativa simples para quem tem Game Pass: continuar a jogar através do cloud, contornando as limitações de desempenho local quando necessário.
Uma mudança que parece pequena, mas pode transformar o ecossistema Xbox e “Play anywhere”
À primeira vista, pode soar a uma actualização discreta. No entanto, esta compatibilidade abre a Xbox a um público novo - ainda reduzido hoje, mas com potencial de crescimento rápido. A consultora Counterpoint aponta que a quota de mercado dos PCs ARM poderá ultrapassar os 25% em 2027. Entre a crise actual no sector da informática e a possível entrada da Nvidia neste mercado, este tipo de CPU pode ganhar ainda mais procura já este ano.
Para a Microsoft, isto também reforça a sua visão “Play anywhere”: a experiência Xbox deixa de estar associada apenas a uma Series X ou Series S, e passa a encaixar melhor num ecossistema onde se joga em múltiplos dispositivos.
Mais do que uma resposta ao presente, há aqui um investimento claro no futuro. É fácil imaginar o aparecimento de novas consolas portáteis ao estilo da Asus ROG Ally ou da Lenovo Legion Go, mas com SoC ARM. Sendo menos “gastadores”, estes SoC poderiam entregar mais autonomia, precisamente o calcanhar de Aquiles deste formato. Com este ajuste, a Microsoft ganha margem para explorar um conjunto muito maior de cenários.
O que vale a pena ter em conta antes de escolher um PC ARM para jogar
Para quem pondera comprar um portátil ou híbrido com Snapdragon e processador ARM, esta novidade é relevante - mas não elimina totalmente a necessidade de avaliar o catálogo que realmente utiliza. A taxa de compatibilidade anunciada (85%) é encorajadora, porém convém confirmar antecipadamente se os jogos principais do utilizador estão incluídos e se o desempenho esperado é realista para o tipo de títulos (especialmente os mais pesados).
Por outro lado, o cloud no Game Pass passa a funcionar como uma espécie de “rede de segurança”: quando um jogo não corre bem localmente, a opção de streaming pode manter a experiência jogável, desde que a ligação à Internet seja estável e suficientemente rápida.
Mais novidades na plataforma: guardados na cloud e chegada aos televisores HiSense
A Microsoft, a partir de Redmond, aproveitou ainda para anunciar melhorias adicionais na sua plataforma. Entre elas está um indicador em tempo real do estado das gravações na cloud, útil para confirmar se a sessão de jogo ficou realmente guardada online.
Além disso, a aplicação passa também a estar disponível em televisores HiSense, o que reforça a estratégia de levar a Xbox para mais ecrãs, fora do hardware tradicional de consola.
A Microsoft pode já não ser o gigante absoluto que foi no mercado das consolas, mas está a apontar para um território diferente - e potencialmente muito maior. Será uma estratégia vencedora?
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