Um novo episódio agita o processo judicial que coloca Google frente a Epic Games: o juiz responsável pelo caso levantou dúvidas após surgir a informação de um acordo confidencial de 800 milhões de dólares, repartido por seis anos, alegadamente assinado entre as duas empresas.
A revelação foi avançada pelo The Verge, que tem acompanhado de perto o dossiê. Segundo o que foi discutido em tribunal, o magistrado James Donato referiu a existência de um novo entendimento comercial entre Google e Epic, com uma dimensão financeira considerável - e potencialmente com impacto directo na disputa em curso.
Um acordo secreto de 800 milhões e o papel do Unreal Engine
Apesar de o juiz Donato permitir que as partes mantenham os pormenores sob confidencialidade, ficou claro que o pacto incluirá desenvolvimento conjunto de produtos e trabalho de marketing em conjunto associado ao Unreal Engine, o motor gráfico da Epic.
O ponto sensível, na leitura do tribunal, é a possibilidade de este acordo facilitar à Google a promoção do Android recorrendo a tecnologia da Epic Games - algo que poderia alterar o equilíbrio concorrencial no ecossistema. Para já, os contornos permanecem pouco concretos.
A indicação mais tangível até ao momento vem do depoimento de Tim Sweeney, CEO da Epic Games, que parece apontar para iniciativas relacionadas com o metaverso:
“A tecnologia da Epic é utilizada por muitas empresas no sector em que a Google comercializa os seus produtos. Como consequência, a capacidade da Google de tirar pleno partido do Unreal Engine… desculpem, estou a revelar coisas confidenciais.”
Na apreciação do juiz, Google e Epic continuam a desenvolver produtos em paralelo, mas este documento sugere uma intenção clara de colaboração. A dúvida que fica no ar é se este tipo de entendimento consegue manter-se intacto enquanto o litígio segue o seu curso.
Google e Epic Games: de rivais a parceiros (Google, Epic Games e Android)
A tensão entre Google e Epic Games não é recente e tem raízes nas lojas digitais e nas comissões cobradas. A Epic criticou a taxa aplicada pela Google, apontando para uma comissão de 30%, o que a levou a contornar as regras ao implementar uma opção de loja e pagamentos directamente no jogo. Como consequência, o Fortnite acabou removido da Play Store.
Este conflito tornou-se um símbolo das disputas sobre o controlo das plataformas móveis, sobretudo em torno de condições de distribuição, pagamentos e do acesso a utilizadores dentro do ecossistema Android.
O acordo anunciado em novembro de 2025 - e a recusa do juiz
Em novembro de 2025, ambas as partes comunicaram publicamente ter alcançado um entendimento para encerrar a disputa. Entre os pontos divulgados, destacava-se a intenção de permitir lojas de terceiros no ecossistema sem mensagens de aviso, bem como a possibilidade de operarem com o seu próprio modelo económico.
Além disso, a Google teria concordado em reduzir a sua comissão, com uma descida de 9% a 20% consoante o tipo de compra. No entanto, este pacote não convenceu o juiz Donato, que o rejeitou poucos dias depois. Na visão do tribunal, o acordo parecia beneficiar sobretudo Google e Epic, potencialmente em prejuízo de outros intervenientes que também dependem do Android.
O que este novo entendimento pode significar para o mercado
Se um acordo de 800 milhões de dólares estiver efectivamente ligado ao Unreal Engine, isso pode ter efeitos práticos para estúdios e empresas que dependem do motor: desde prioridades de compatibilidade e integrações técnicas, até à forma como a tecnologia é promovida em ambientes Android. Mesmo sem detalhes públicos, a simples existência do pacto levanta questões sobre como será distribuída influência e visibilidade no ecossistema.
Também é relevante observar o lado concorrencial: quando um processo discute regras de plataforma e comissões, um entendimento paralelo de grande dimensão pode ser interpretado como uma forma de reconfigurar incentivos, alianças e vantagens - ainda que formalmente separado da matéria principal do litígio.
Um caso longe do fim
O processo entre Google e Epic Games continua, e este novo acordo confidencial - pela sua escala e pelo envolvimento do Unreal Engine, do Android e possivelmente do metaverso - parece abrir mais interrogações do que respostas. Para já, o tribunal permite o segredo, mas a atenção do juiz indica que o tema pode voltar a ganhar peso à medida que o caso evolui.
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