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O jogo Pokémon Pokepia está a impulsionar as ações da Nintendo.

Jovem sentado numa mesa, usando portátil com gráfico financeiro e a jogar jogo de Pikachu no telemóvel.

O fenómeno dos videojogos continua, mais do que nunca, a jogar a favor da empresa japonesa.

Durante este mês de março, o mercado financeiro antecipava o pior para a Nintendo e para outros pesos-pesados da indústria dos videojogos. O motivo é simples: a escassez de memória RAM - uma situação que poderá prolongar-se por vários anos - está a obrigar estas empresas a reajustarem estratégias, adiando o lançamento de novas consolas e, ao mesmo tempo, a suportarem custos mais elevados na produção do hardware já existente.

Ainda assim, esta quarta-feira trouxe um alívio para a Nintendo, com as ações a dispararem 10,5%. À data em que escrevemos, o título ronda os 63 dólares, quando na segunda-feira estava perto dos 54 dólares. A explicação para esta subida é direta: as vendas muito fortes do jogo Pokémon Pokopia, que faz lembrar uma versão ao estilo de Animal Crossing dentro do universo Pokémon, devolveram confiança aos investidores. Lançado a 5 de março, em exclusivo para a Switch, o jogo já se encontra esgotado nas principais cadeias de distribuição dos Estados Unidos.

Citado pela Bloomberg, o analista Atul Goyal (da Jefferies) considera que a Switch 2 está a beneficiar de “uma dinâmica excecional graças ao seu sucesso viral”, o que ajuda a compensar “as dificuldades ligadas ao custo da memória” que têm pressionado a cotação da Nintendo desde o final de 2025. Como prova do entusiasmo em torno do lançamento, nos EUA o novo jogo Pokémon está a ser vendido por 80 dólares na Amazon.

Nintendo e Switch 2: prudência dos dirigentes apesar do entusiasmo

Apesar do salto em bolsa, na Nintendo não há espaço para euforias. E há uma razão importante: mesmo depois desta recuperação, a ação continua a acumular uma queda de 30% face ao máximo registado em novembro do ano passado.

A administração, aliás, mantém um discurso cauteloso. O Video Games Chronicle recuperou declarações do presidente da Nintendo, Shuntaro Furukawa, que em janeiro referiu que a empresa estava a acompanhar muito de perto a margem de lucro da Switch 2, tendo em conta o aumento dos preços da memória e o impacto das tarifas aduaneiras internacionais.

Nesse contexto, Furukawa salientou: “Compramos aos nossos fornecedores com base nos nossos planos comerciais de médio e longo prazo, mas o mercado da memória está atualmente muito volátil. Não há impacto imediato nos resultados, mas é um ponto que precisamos de acompanhar com atenção.”

O que pode mudar com a escassez de memória RAM na Nintendo

Se a escassez de memória RAM persistir, não é apenas o calendário de lançamentos que pode ser afetado: também os modelos de produção e a gestão de stocks podem tornar-se mais conservadores, com quantidades iniciais mais limitadas e reabastecimentos mais faseados. Em mercados onde a procura é maior, isso tende a traduzir-se em ruturas mais frequentes, aumento de preços no retalho e maior pressão sobre distribuidores.

Ao mesmo tempo, o sucesso “viral” de um título exclusivo como Pokémon Pokopia pode ter um efeito indireto importante: reforça o ecossistema da Switch e aumenta o interesse na Switch 2, sobretudo se o público associar a consola a experiências sociais e de longa duração, semelhantes às que Animal Crossing popularizou. Para a Nintendo, este tipo de fenómeno costuma prolongar o ciclo de vida da plataforma e elevar a receita por utilizador através de vendas contínuas e do efeito de boca-a-boca.

Se já experimentou Pokémon Pokopia, considera que o jogo faz jus a todo este sucesso? Partilhe a sua opinião nos comentários.

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