Acaba de chegar um novo jogo de God of War. Com o subtítulo Sons of Sparta, o título procura baralhar as regras habituais da série, ao mesmo tempo que recupera o sabor da mitologia grega. Vale a pena? Já o experimentámos.
Anúncio surpresa no State of Play da Sony
A revelação apanhou toda a gente desprevenida e deixou os fãs em êxtase. A Santa Monica Studio, responsável pela saga God of War, aproveitou o State of Play da Sony de 12 de fevereiro para apresentar um novo jogo: God of War Sons of Sparta.
Convém, no entanto, enquadrar bem o que aqui está em causa. Não se trata de um grande “blockbuster” que continue diretamente God of War Ragnarök (2022). Estamos perante um projeto paralelo desenvolvido pela Mega Cat Studios. Ainda assim, não é de todo um “joguinho” menor: é um lançamento ambicioso, com ideias pouco comuns para a história da licença. E há um extra que conta: já está disponível na PS5.
Regresso às origens gregas: a juventude de Kratos e Deimos em God of War Sons of Sparta
God of War Sons of Sparta funciona como uma prequela. Aqui, acompanhamos Kratos numa fase bem anterior à que conhecemos, quando ainda era um jovem espartano submetido à agôgè. Longe de ser a lenda que viria a tornar-se, é apenas um rapaz que precisa de provar o seu valor ao explorar as charnecas da Lacónia.
Nesta jornada, Kratos não está sozinho: o seu irmão Deimos segue ao seu lado, uma presença que os fãs já tinham encontrado em Ghost of Sparta (2010). A relação entre ambos não serve apenas de pano de fundo - é um dos eixos narrativos do jogo, com diálogos frequentes e espaço para aprofundar a dinâmica entre os dois.
Pixel art, cenários vibrantes e Bear McCreary: a identidade visual e sonora de Sons of Sparta
Uma das primeiras coisas que salta à vista é a direção artística. A Mega Cat Studios optou por uma abordagem pixel art para esta aventura - uma escolha inesperada para a série, mas que resulta muito bem. A apresentação ganha força com efeitos visuais brilhantes, ambientes variados e bastante coloridos, e uma componente sonora à altura.
A música, assinada por Bear McCreary, mantém a intensidade que se espera do universo God of War: é agressiva quando precisa de ser e, noutros momentos, cria uma atmosfera hipnótica e pesada que encaixa na viagem e na tensão dos confrontos.
Metroidvania em 2D com Sparta como hub (God of War Sons of Sparta)
Em vez da fórmula narrativa em terceira pessoa, Sons of Sparta aposta numa estrutura inédita na série: um Metroidvania. Controlamos Kratos em níveis 2D com múltiplos caminhos e interligações, usando a cidade de Sparta como um hub central que orienta a progressão.
Como manda o género, é comum encontrar passagens bloqueadas - e a solução surge mais tarde, quando regressamos com uma nova habilidade adquirida entretanto. O jogo coloca também um peso claro no combate: é acessível, mas rápido e com bom ritmo. Pelo meio, surgem enigmas para descobrir baús escondidos ou simplesmente para desbloquear o avanço.
E, claro, há chefes que interrompem o passeio: alguns encontros funcionam como verdadeiras “paredes” de dificuldade, típicas dos Metroidvania, e obrigam a aprender padrões e a melhorar a execução.
Apesar do foco mais mecânico na exploração e no combate, a narrativa não fica em segundo plano. Há muitas conversas e cenas que exploram a ligação entre Kratos e Deimos, e é referido que a história foi escrita pelos mesmos autores dos jogos God of War mais recentes - um detalhe que deverá agradar particularmente a quem acompanha a saga de perto.
Além disso, este tipo de estrutura incentiva naturalmente a revisitar zonas e a “limpar” o mapa com novas competências, o que encaixa bem tanto em sessões curtas como em maratonas de exploração. Para quem gosta de procurar segredos, a alternância entre combate, obstáculos e desvios para recompensas dá um bom motivo para não seguir sempre em linha reta.
Vale a pena comprar? Preço e impressão geral na PS5
À venda por 30 € e exclusivo da PS5, Sons of Sparta acaba por ser um complemento agradável à saga. O maior trunfo está no atrevimento: o jogo assume riscos consideráveis e pode baralhar quem se habituou ao tom e ao ritmo mais “nórdico” dos últimos capítulos.
Enquanto Metroidvania, é competente e bem construído, ainda que possa parecer menos inventivo do que Prince of Persia The Lost Crown ou Ori. Ainda assim, é de aplaudir a abertura da Santa Monica Studio em dar espaço a este tipo de projeto. Não é um lançamento feito só para fãs; também funciona para quem procura um jogo sólido e divertido para despachar num fim de semana.
Para onde vai a saga God of War?
Este lançamento também pode servir de pista para o futuro da franquia. Sabe-se que o arco ligado à mitologia escandinava ficou encerrado com Ragnarök. Enquanto a continuação demora a chegar, nota-se um movimento claro da Santa Monica Studio no sentido de voltar às raízes - ou seja, à Grécia antiga.
E Sons of Sparta não é o único sinal disso. O estúdio revelou igualmente God of War Trilogy, um remake completo dos três primeiros jogos lançados na PS2 e na PS3. É um projeto que, à partida, deverá exigir alguns anos de trabalho antes de a saga avançar para aventuras totalmente inéditas no pós-Ragnarök. E não seria surpreendente que, pelo caminho, surgissem mais títulos paralelos com ambição semelhante à de Sons of Sparta.
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Kratos continua a ser um protagonista “indestrutível”, tanto dentro dos jogos como no catálogo da Sony. God of War permanece uma das séries mais fortes da PlayStation: o capítulo mais recente ultrapassou os 15 milhões de unidades vendidas. Tudo indica que o Fantasma de Esparta ainda vai ficar muito tempo nos nossos ecrãs.
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