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Jogámos World of Warcraft Midnight: esta nova expansão mostra porque o jogo da Blizzard continua imparável.

Personagem com asas luminosas observa constelações numa varanda ao pôr do sol, diante de castelo místico.

Midnight é a décima primeira expansão de World of Warcraft. Sem querer reinventar por completo a fórmula, apoia-se em alicerces muito sólidos para oferecer uma experiência que tanto serve quem está a começar como quem já anda nisto há anos. Já a experimentámos.

Mais de vinte e um anos depois do lançamento, World of Warcraft continua a ser um fenómeno difícil de abater, capaz de juntar milhões de jogadores em torno do mesmo mundo. Agora chega a décima primeira expansão: Midnight. O lançamento oficial está marcado para 3 de março, mas quem fez a pré-compra já pode entrar. Há conteúdo novo, funcionalidades inéditas, um esforço claro para receber melhor os novatos e, ao mesmo tempo, recompensar os veteranos. E resulta: Midnight é uma espécie de “WoW no seu máximo”, um bom retrato de porque é que este MMORPG continua a ser relevante apesar da idade.

O que se segue não é um teste tradicional, mas sim um ponto de situação completo: será uma boa desculpa para começar World of Warcraft hoje? Vale a pena regressar após uma longa pausa? O que muda para quem já conhece tudo? Aqui está o essencial.


O que conta a história de World of Warcraft Midnight?

Midnight é o segundo capítulo daquilo a Blizzard chama World Soul Saga, um arco narrativo planeado para três expansões. Tudo começou com The War Within (2024), que levou os jogadores às profundezas de Azeroth e serviu como recomeço narrativo, preparando o terreno para o conflito entre o Vazio e a Luz. Em Midnight, a trama acelera e entra mesmo no centro do conflito.

A antagonista Xal’atath lança um ataque em grande escala ao reino élfico de Quel’Thalas. Os seus exércitos avançam e cabe-nos travar a ofensiva, lado a lado com personagens marcantes do lore. É uma premissa clássica, mas eficaz - e funciona como pretexto perfeito para uma campanha cheia de momentos “à WoW”.

Quem não jogou The War Within não precisa de entrar em pânico. World of Warcraft é, em muitos aspectos, como uma novela longa: dá para apanhar o fio à meada sem ter visto tudo desde o início. Além disso, há um mecanismo de “recapitulação” para pôr os atrasados a par do que interessa antes de mergulharem em Midnight.


Novas zonas de WoW Midnight: Quel’Thalas, Lune d’Argent e mais

Uma expansão de World of Warcraft costuma significar novos continentes ou até novos planetas. Em Midnight, a abordagem é diferente: a Blizzard optou por modernizar uma região já existente, trazendo para o presente o reino de Quel’Thalas.

Este cenário tem peso histórico: apareceu no universo desde Warcraft II (1995), voltou em Warcraft III (2002) e chegou a World of Warcraft em 2007, com The Burning Crusade, a primeira expansão. Desta vez, a aposta na nostalgia é evidente - mas não se resume a “puxar pela memória”.

Quel’Thalas foi refeito de raiz (e nota-se)

Em Midnight, Quel’Thalas foi praticamente “reconstruído”: visuais mais modernos, missões redesenhadas, novos eventos e uma componente sonora que se destaca (a música está mesmo excelente). Lune d’Argent, a capital desta expansão, ganha escala e detalhe; passear pelas suas ruas sinuosas é muito mais agradável e funcional do que na versão antiga. Quem jogou em 2007 vai reconhecer pontos-chave, mas a diferença entre a versão de 2007 e a de 2026 é enorme.

Há também regressos com nova vida. Zul’Aman, que em tempos foi um raid em The Burning Crusade, reaparece agora como zona completa. E, para garantir que não é só “revival”, a expansão inclui ainda Harandar (uma área subterrânea) e Tempête du Vide, uma região cósmica associada ao bastião das forças de Xal’atath. Estas áreas são visitadas durante o levelling e voltam a ter utilidade no nível máximo através de expedições e outras actividades.

Depois de muitas horas a explorar estas regiões na beta, a sensação é clara: a reinvenção de Quel’Thalas é inspirada, com um equilíbrio bem medido entre modernização e respeito pelo passado. Lune d’Argent torna-se um bom exemplo de como uma cidade de MMO deve funcionar: grande, densa, conveniente e cheia de recantos. Zul’Aman também impressiona pela atmosfera. A nossa única reserva vai para Tempête du Vide, que nos pareceu menos inventiva e menos apelativa em termos visuais.


Funcionalidades novas em World of Warcraft Midnight: Logis (housing) e Traque

Midnight não tenta deitar abaixo o que já funciona em World of Warcraft, mas adiciona sistemas com impacto real.

Logis (housing): a maior novidade de Midnight

A mudança mais significativa é o housing, aqui tratado como Logis. Embora o sistema tenha chegado antes da expansão, em Midnight passa a ser parte central da experiência. A própria equipa explicou que esta chegada antecipada serviu para evitar que, no lançamento, os jogadores se dispersassem entre demasiadas novidades ao mesmo tempo - uma decisão acertada, porque o Logis é, na prática, “um jogo dentro do jogo” e pode consumir imenso tempo.

O sistema acrescenta uma dimensão nova às aventuras: passa a fazer sentido procurar certos conteúdos para obter mobília, personalizar espaços e melhorar a casa. A Blizzard também sublinhou que o Logis foi concebido para durar e para ser expandido ao longo das próximas expansões, em vez de ser uma funcionalidade descartável.

Traque: caça ao alvo no mundo aberto

Outra funcionalidade com destaque é a Traque. No nível máximo, permite assumir um papel de caçador de recompensas, seguindo uma presa no mundo aberto. O detalhe interessante é que o alvo não é apenas “caçado”: pode inverter a lógica e atacar-vos de surpresa. É um sistema divertido e rejogável, mesmo que não seja o eixo principal do endgame.

Claro que o “núcleo” permanece: expedições, masmorras (muito bem desenhadas), gouffres, PvP e raids - com três previstos para o final de março. Há conteúdo para ocupar muitas semanas, e nota-se um polimento global superior ao habitual.


Há novas raças e classes em WoW Midnight?

Nem todas as expansões cumprem a tradição, mas Midnight traz duas novidades para a criação de personagens.

Caçadores de Demónios: especialização nova, Devoração

Os caçadores de demónios recebem uma nova especialização: Devoração. O nome “especialização” até engana, porque o estilo de jogo é suficientemente diferente para parecer uma classe nova: há magia à distância, recolha de orbes para transformação demoníaca e alternância para combate corpo a corpo quando necessário. É um kit muito divertido, embora pareça mais dirigido a quem já domina bem o jogo. Além disso, os caçadores de demónios passam também a poder ser associados à raça dos elfos do Vazio.

Nova raça aliada: Haranirs

A segunda novidade é uma raça aliada: os Haranirs, descritos como elfos das cavernas. Podem juntar-se tanto à Aliança como à Horda. É uma adição simpática - mesmo que não fosse, claramente, a etnia mais pedida pela comunidade.


Midnight é uma boa oportunidade para regressar a World of Warcraft?

Voltar (ou começar) World of Warcraft pode assustar, porque o volume de conteúdo acumulado ao longo dos anos é gigantesco. Mas uma expansão nova é, quase sempre, o melhor momento para entrar: a Blizzard “reinicia” a linha de partida e encaminha os jogadores para o conteúdo actual.

Para quem nunca jogou, nota-se um esforço real para reduzir fricção. A zona inicial, os Confins do Exílio, foi repensada como um tutorial longo (cerca de 2 a 3 horas) que ensina o básico enquanto conta uma pequena história. Depois disso, basta seguir a cadeia de missões para conhecer a narrativa de The War Within e avançar para Midnight.

O jogo inclui ainda um sistema de impulso de personagem (um “passe”) que permite criar um personagem já no nível máximo, pronto para as novas zonas. Convém, no entanto, ter cuidado: é consumido ao usar e desaparece definitivamente.

Um ponto que também ajuda no regresso é a forma como o jogo organiza melhor objectivos e actividades: entre marcadores mais claros, recompensas mais directas e uma sensação de progressão menos confusa, é mais fácil perceber “o que fazer a seguir” sem passar horas a navegar menus.


Já há planos para o que vem depois de WoW Midnight?

Sim. Como segundo acto da World Soul Saga, Midnight prepara o caminho para o terceiro e último capítulo: The Last Titan.

Sabe-se que The Last Titan nos levará a Nortúndria e que deverá sair em 2027 ou 2028. A Blizzard já começou a falar do tema publicamente, incluindo numa entrevista à Game Informer, onde discute o desafio de criar uma “nova” Nortúndria. A questão é óbvia: os jogadores já conhecem bem este continente, porque foi o palco de Wrath of the Lich King (2008), uma das expansões mais adoradas. Tal como aconteceu com Quel’Thalas, será necessário um “remake” que actualize sem destruir as memórias.

E, ao contrário do que o nome pode sugerir, The Last Titan não significa o fim de World of Warcraft. A Blizzard já indicou que, depois desta conclusão, o jogo avançará para um novo arco narrativo.


Afinal, o que vale WoW Midnight?

É sempre complicado avaliar uma expansão apenas no arranque: World of Warcraft é um jogo que se mede ao longo dos meses, com patches e ajustes. Ainda assim, o levelling em Midnight impressiona. A história é envolvente, o ritmo da progressão está muito bem calibrado e tanto a direcção artística como a música estão num nível altíssimo.

No conjunto, Midnight funciona como um “melting pot” do que melhor resulta em World of Warcraft. A Blizzard demonstra que conhece a fórmula ao detalhe e, acima de tudo, acerta no equilíbrio: nostalgia (com o regresso de zonas clássicas) sem abdicar de novidade (com sistemas como o Logis e novas áreas como Harandar). Quem viveu The Burning Crusade vai sentir-se em casa; quem chega agora encontra um mundo com identidade forte e muito mais acessível do que seria de esperar.

Importa lembrar que o que existe hoje é apenas a base. A expansão vai crescer com o tempo e a Blizzard já promete um patch maior para este verão, com nova zona, nova masmorra e novos gouffres para explorar. Mesmo assim, o que já está disponível é sólido e muito bem executado - e ajuda a explicar, mais uma vez, porque é que WoW continua a ser “increvível”.

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