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Teste ao HP Victus 15: vale a pena este portátil gaming acessível?

Pessoa a jogar videojogo num portátil num café, com auscultadores e café na mesa.

Testámos o HP Victus 15, um PC portátil gaming relativamente acessível pensado para jogar em 1080p. Eis a nossa análise completa.

Um portátil gaming tende a ser caro: com uma placa gráfica dedicada de topo, os preços ultrapassam facilmente os 1 800 € e, nos modelos mais musculados, podem chegar a mais de 6 000 €. Ainda assim, há opções mais “pé no chão” - desde que se aceitem alguns compromissos.

É precisamente aí que entra o HP Victus 15. Mesmo com um AMD Ryzen 5 240, uma Nvidia RTX 5050 mobile, 24 GB de RAM e um ecrã de 144 Hz, consegue manter o preço normalmente abaixo dos 1 400 € (fora promoções), o que o coloca na zona mais baixa desta gama.

Mas onde é que a HP cortou para chegar aqui? Dá para jogar lançamentos recentes com qualidade aceitável? E o ecrã e a autonomia acompanham? Com nome “de arena”, o Victus entra em combate.

Um design de 15 polegadas sóbrio e sem exageros

Num portátil gaming, um GPU dedicado e um sistema de arrefecimento competente são obrigatórios - e isso paga-se em volume. No Victus 15, isso traduz-se num chassis com 35,79 × 25,5 × 2,35 cm e 2,29 kg. Não é leve num saco, mas está dentro da média dos 15", onde muitos modelos andam entre 2,4 e 2,6 kg (com a ressalva de que há exceções mais leves, como alguns portáteis na casa dos 1,9 kg).

Para não disparar o peso, a HP escolheu um chassis totalmente em plástico, com os pontos fortes e fracos típicos do material. As acabamentos estão bem executados e a dobradiça transmite robustez ao longo de cerca de 135°. Em uso diário, o plástico também tem uma vantagem: é mais “morno” ao toque do que alumínio, o que pode ser mais confortável nas palmas das mãos.

Em contrapartida, há um efeito secundário chato: ao pressionar o chassis com mais força (por exemplo, para estabilizar o portátil em cima das pernas), pode acontecer o clique do touchpad ser acionado sem querer. Em testes, bastou um movimento mais rápido para selecionar blocos inteiros de texto com um deslize involuntário ou até minimizar janelas por engano.

No capítulo visual, a marca foi claramente pela discrição. Nota-se que é um gaming pelo volume, pelas grelhas traseiras generosas e pelas linhas angulosas, mas não há LEDs chamativos. Até o “V” no logótipo da tampa é apenas plástico brilhante - destaca-se sem iluminar. Minimalista, como prometido.

Ligações: o essencial, com algumas ausências

Na conectividade, a HP também jogou pelo seguro (e pela poupança):

  • Lado esquerdo: ficha de carregamento, USB-A e jack 3,5 mm
  • Lado direito: HDMI, Ethernet, USB-A e USB-C

Em quantidade, um segundo USB-C e um leitor de cartões SD fariam falta. Em qualidade, limitar o USB-C a USB 3.2 Gen 1 / DisplayPort 1.4a e a rede com fios a Gigabit Ethernet é aceitável em 2025, mas sabe a pouco para um portátil que se quer moderno.

Teclado e touchpad XL (com detalhes a considerar no HP Victus 15)

A boa notícia de um ecrã de 15" é óbvia: há espaço para um teclado grande, a toda a largura, com teclado numérico completo. Para produtividade e jogos que tiram partido do numpad, é um extra bem-vindo.

A unidade testada vinha com disposição ANSI em layout AZERTY, o que significa: - tecla Enter em linha (e não em “L” invertido); - ausência da tecla dedicada para os caracteres < e > à esquerda do W, substituída por um atalho (por exemplo, Alt + L).

É um pormenor relevante para quem escreve código com frequência (HTML incluído). Para o mercado português, fica também a nota: convém confirmar o layout PT na loja, porque a experiência muda bastante.

No retroiluminação, há apenas dois estados: ligado ou desligado. A luz aparece tanto nas letras como por baixo das teclas, o que pode incomodar em escuridão total. Felizmente, a parte superior das teclas não cria reflexos evidentes no ecrã.

O maior corte está na segurança: não há leitor de impressões digitais e a webcam não suporta Windows Hello. Ou seja, sem biometria - é password (ou PIN) vezes sem conta.

O touchpad (não é de vidro) mede 12,5 × 8 cm, é confortável e tem clique responsivo. A HP fez algo inteligente para evitar toques acidentais: em vez de o centrar no chassis, alinhou-o com a zona alfanumérica do teclado (o que faz sentido num portátil com numpad). Ainda assim, com os dedos em ZQSD, o polegar toca nele com facilidade; se jogar com rato, é boa ideia desativá-lo.

Um ecrã aquém do resto

O Victus 15 traz um LCD IPS de 15 polegadas, Full HD (1920 × 1080), com 144 Hz. A HP indica apenas 300 nits de brilho - e isso nota-se. Mesmo com painel mate e um tratamento antirreflexo competente, em ambientes iluminados o brilho reduzido obriga a puxar a intensidade quase ao máximo para manter conforto.

E o problema maior nem é esse: é a cor. Enquanto alguns concorrentes já apontam para 100% DCI-P3, aqui a HP anuncia apenas 62,5% do gamut sRGB (um espaço menos exigente). Traduzindo: a imagem fica longe do ideal. Em jogos coloridos, “passa”, mas em tarefas de escritório o resultado é frequentemente apagado, com cores pouco vivas e sensação de falta de vida.

Jogar fora de casa, com direito a ray tracing

A nossa configuração do HP Victus 15 inclui: - AMD Ryzen 5 240 até 4,3 GHz - 24 GB de RAM - Nvidia RTX 5050 mobile com 8 GB de VRAM

Para aguentar sessões longas, o portátil usa um sistema de arrefecimento volumoso, a expulsar calor ligeiramente para baixo e sobretudo para trás. Em tarefas normais é relativamente silencioso, mas quando se exige mais torna-se ruidoso - dentro do esperado num portátil gaming.

Onde surpreende é na gestão térmica. A zona traseira fica muito quente (não é boa ideia colocar nada sensível ao calor atrás do ecrã), mas as entradas inferiores mantêm uma temperatura aceitável para uso em cima das pernas, e o chassis aquece pouco durante o jogo - essencialmente acima do teclado numérico. Na zona esquerda do teclado, onde a mão fica quase sempre, dificilmente se sente aquecimento.

Desempenho em jogos (1080p)

A RTX 5050 é uma gráfica de entrada na gama RTX 50, desenhada precisamente para 1080p - e o ecrã do Victus 15 é Full HD, por isso há coerência no conjunto.

  • Deadlock (MOBA/hero shooter ao estilo de Overwatch ou Marvel Rivals): cerca de 100 FPS em média, sem problemas.
  • Cyberpunk 2077: cerca de 70 FPS em média com preset “Ray Tracing baixo” e texturas em “elevado”.
  • Arc Raiders: entre 80 e 90 FPS com gráficos em elevado e RT em baixo.

Apesar de ser a menos potente da geração, a 5050 mobile justifica o “RTX”: em vários jogos é possível ativar ray tracing, pelo menos em níveis moderados. Já em títulos mais pesados, a história muda. Em Alan Wake II, por exemplo, o portátil tem dificuldade em chegar aos 60 FPS, ficando mais frequentemente entre 50 e 58 FPS, mesmo sem RT e com qualidade em baixo.

Aqui entram as tecnologias da Nvidia: com multi frame generation em x3 (há opção até x4), é possível manter algo como 70 a 90 FPS com definições em médio e RT baixo. A escolha final depende da tolerância pessoal a latência, artefactos e suavidade percebida.

Armazenamento: capacidade curta e quebras em ficheiros grandes

O SSD deixa-nos divididos. Com 512 GB, o espaço torna-se rapidamente apertado face ao tamanho dos jogos atuais, e uma atualização pode pesar no orçamento nos próximos meses.

Além disso, embora os benchmarks com ficheiros pequenos (até cerca de 5 GB) sejam positivos, em downloads muito grandes (jogos acima de 100 GB, independentemente da plataforma) surgem quebras de velocidade de forma recorrente.

Autonomia demasiado curta

O Victus 15 inclui uma bateria Li-ion de 4 células com 70 Wh. Não é um ponto forte - e o problema agrava-se porque, devido ao brilho limitado do ecrã, muitas vezes é preciso usar o brilho perto do máximo.

Em trabalho de escritório, com vários separadores abertos e streaming de vídeo (YouTube e Twitch), conte com cerca de 4 horas. Em jogos, a recomendação é simples: ligue-o à corrente, tanto pela autonomia como pela performance.

Dois pontos extra a ter em conta antes da compra (Portugal)

Vale a pena pensar no Victus 15 como base para um setup mais completo. Com um monitor externo (idealmente com melhor brilho e cobertura sRGB superior), o portátil ganha uma nova vida para trabalho e até para jogos mais cinemáticos. Se joga maioritariamente em secretária, esta é uma forma prática de contornar a maior fraqueza do equipamento: o ecrã.

Também convém planear o futuro do armazenamento desde o primeiro dia. Com jogos cada vez maiores, faz sentido reservar orçamento para um SSD adicional ou maior (consoante as possibilidades de expansão do modelo específico à venda). Se a promoção for boa, o “dinheiro poupado” pode ir diretamente para essa melhoria - e o portátil fica muito mais equilibrado.

Vale a pena comprar o HP Victus 15?

Pelo preço, não era realista esperar que o Victus 15 discutisse o trono com os melhores portáteis gaming. A RTX 5050 mobile cumpre bem em Full HD, mas o resto do conjunto sofre - sobretudo o ecrã e a autonomia, dois fatores críticos num portátil.

Dito isto, o Victus 15 cumpre o objetivo: jogar em Full HD numa máquina transportável. O problema é que a relação qualidade/preço depende muito das campanhas dos grandes retalhistas. Ao preço base, continua longe de bater alguns rivais mais bem equipados; com desconto, o cenário muda por completo.

É em épocas fortes que mostra o verdadeiro valor: no Black Friday 2025, por exemplo, caiu para 800 €, um preço excelente para a potência entregue - mesmo com os seus defeitos. A esse valor, deixa de ser apenas interessante e passa a ser quase obrigatório para quem quer jogar gastando pouco. A Nvidia, com as 5050 e 5060, está claramente a olhar para orçamentos mais curtos - e, aqui, a promessa é em grande parte cumprida. No fim, é uma questão de paciência e de aceitar compromissos.


HP Victus 15 - 1 400 €

Pontuação global: 6,2

Categoria Nota
Design 7,0/10
Desempenho 7,0/10
Teclado / Touchpad 7,0/10
Ecrã 4,5/10
Autonomia 5,5/10

Gostámos

  • Jogar em modo “nómada” em Full HD
  • Visual discreto, sem “bling-bling”
  • Concepção geral bem pensada (incluindo temperaturas no chassis)

Gostámos menos

  • O ecrã é claramente fraco
  • A autonomia é mediana para um portátil
  • Relação qualidade/preço pouco apelativa fora de promoções

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