Perante a circulação de um vídeo em que uma mulher pede restrições aos jogos de vídeo, Emmanuel Macron revelou a intenção de lançar uma avaliação sobre os seus efeitos. O objectivo, segundo o Presidente, é que eventuais decisões futuras sejam sustentadas por evidência científica.
Actualização (07/02/2026): Fortnite citado e resposta da Epic Games
Depois das declarações de Emmanuel Macron, a Epic Games reagiu através de Cat McCormack, porta-voz da empresa. Fortnite foi referido várias vezes no debate, e a Epic sublinha o seguinte:
“O Fortnite oferece experiências adequadas a jogadores de todas as idades e origens, desde caças ao tesouro envolventes até à prática de música com amigos. Cada experiência tem uma classificação etária específica, e perto de 48 000 jogos no ecossistema Fortnite estão classificados como PEGI 3 ou PEGI 7. Com as ferramentas de controlo parental da Epic, os pais podem personalizar a experiência de jogo do seu filho, incluindo bloquear o acesso a títulos acima de um determinado limite de idade ou definir um tempo máximo de jogo.”
Contexto: entrevista à Brut e apelo a medidas contra jogos de vídeo
Num momento em que a França já caminha para proibir o acesso às redes sociais a menores de 15 anos, Emmanuel Macron admitiu que também está a ponderar respostas de âmbito nacional para os jogos de vídeo. A posição foi tornada pública numa entrevista ao meio Brut, que mostrou ao Presidente um vídeo de uma mulher - que se identifica como professora - indignada após o ataque em Sanary-sur-Mer e a pedir a proibição de jogos, apontando Fortnite como exemplo.
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Na sua leitura pessoal, Emmanuel Macron considera que a violência que se tem vindo a instalar entre os mais jovens pode estar relacionada com uma maior exposição a conteúdos violentos, quer em vídeos vistos nas redes sociais, quer nos jogos que praticam. Ao mesmo tempo, insistiu na responsabilidade dos pais e anunciou que será realizado um “trabalho” com especialistas, capaz de conduzir a medidas concretas mais à frente.
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De forma mais precisa, o Estado pretende pedir a especialistas e ao Conselho Nacional do Digital e da IA que avaliem o efeito dos jogos de vídeo nas crianças e nos adolescentes. Emmanuel Macron disse esperar que haja um consenso científico sobre o tema, acrescentando que compreende a indignação expressa pela autora do vídeo.
O Presidente também sustentou que faz mal às crianças deixá-las passar horas em jogos violentos. Ainda assim, por agora não apresentou propostas específicas e não falou numa proibição. Como resumiu, antes de avançar com uma medida nacional, quer que “a ciência” o ajude a decidir.
Nem todos os jogos de vídeo são iguais, defende Emmanuel Macron
Apesar das preocupações, Emmanuel Macron já assumiu que não se deve colocar tudo “no mesmo saco”. Recordou que há jovens que jogam sem passar “dias e noites” agarrados aos ecrãs, e que existem jogos de vídeo sem conteúdo violento. Reconheceu ainda que alguns títulos podem ter utilidade educativa.
Um ponto frequentemente referido neste tipo de debate é a classificação etária, como o sistema PEGI, que orienta famílias e educadores sobre a adequação de conteúdos por idades. Em paralelo, ferramentas como controlos parentais e limites de tempo podem ajudar a ajustar a experiência ao perfil de cada criança, sobretudo quando o consumo é feito em casa e sem supervisão directa.
Para além de eventuais medidas legais, ganham também relevância iniciativas de literacia mediática e digital - em contexto familiar e escolar - que ensinem a gerir tempo de ecrã, a reconhecer conteúdos inadequados e a adoptar rotinas saudáveis, reduzindo a exposição continuada a estímulos violentos, independentemente da plataforma.
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