Saltar para o conteúdo

Jogador de videojogos francês: agora com cerca de 40 anos, joga regularmente e aprecia partidas online – o perfil típico mudou bastante.

Homem sentado no sofá a jogar videojogo com comando, frente a uma televisão e uma mesa de centro com café e moedas.

O SELL (Sindicato dos Editores de Software de Lazer) divulgou um estudo sobre os hábitos de consumo dos jogadores de videojogos em França. As conclusões desmontam ideias feitas: hoje, o gaming é maioritariamente uma actividade adulta, mista e cada vez mais online.

Ao contrário do estereótipo que se popularizou desde os anos 1980 - o adolescente fechado no quarto, permanentemente agarrado ao comando -, os dados mostram uma realidade muito mais transversal. Jogar já não é um nicho: tornou-se um passatempo comum no quotidiano francês.

Segundo esta análise extensa, apresentada em formato de infografia, 40 milhões de franceses jogam pelo menos uma vez por ano. Entre eles, 76% dizem jogar pelo menos uma vez por semana, independentemente do género de jogo. E, dentro deste universo de 40 milhões, 88% têm mais de 18 anos, confirmando que o videojogo é hoje um lazer de adultos - e não apenas de jovens adultos, já que a idade média do gamer em França é de 40 anos.

Estudo do SELL: um lazer para se divertir e escapar à rotina

O estudo separa o conjunto total de jogadores dos jogadores regulares, mas o retrato dos dois grupos é bastante semelhante. Entre os regulares, a idade média baixa ligeiramente para 39 anos. Em termos de género, 54% são homens e 46% são mulheres; no total da amostra, a distribuição é ainda mais equilibrada (51% homens e 49% mulheres).

A leitura por faixas etárias ajuda a desfazer mais um mito: quanto mais jovem, maior a adesão (jogam 93% dos menores de 18 anos), mas os mais velhos também participam. Entre os séniores, 49% afirmam jogar, provando que este entretenimento atravessa gerações.

O que motiva os jogadores e como jogam

À pergunta “porque é que jogam?”, a resposta é clara: para se divertirem - opinião partilhada por 93% dos inquiridos. Além disso, 87% referem que o gaming é uma forma de evasão, ajudando-os a desligar das preocupações do dia-a-dia.

A componente social também pesa: 65% jogam títulos multijogador, sinal de que a experiência não se resume a jogar sozinho. Este lado comunitário manifesta-se em partidas rápidas, equipas recorrentes e rotinas de jogo que aproximam amigos e conhecidos, muitas vezes à distância, com voz e chat como parte natural da experiência.

Assinaturas, compras dentro do jogo e o modelo das microtransacções

O estudo aponta ainda para a consolidação do consumo por subscrição. 44% dos jogadores (cerca de 17 milhões de pessoas) têm assinatura de uma plataforma de gaming - como Xbox Game Pass, PlayStation Plus Premium, GeForce Now ou World of Warcraft - com uma despesa média de 19 € por mês.

Já as compras dentro do jogo, tantas vezes criticadas, são mais comuns do que se pensa: 37% dizem já ter gasto dinheiro em compras in-game. Ou seja, o modelo económico das microtransacções acabou por ser adoptado de forma significativa por uma parte relevante do público.

Quanto se gasta, e por que razão os estúdios jogam pelo seguro

Do ponto de vista financeiro, os números ajudam a contextualizar a estratégia dos grandes estúdios. Em média, cada francês gasta 119 € por ano em videojogos - um valor que corresponde a menos de dois lançamentos AAA. Com um orçamento anual relativamente contido e um mercado extremamente competitivo, percebe-se melhor porque é que muitos estúdios de grande dimensão evitam riscos criativos e tentam agradar ao maior número de pessoas possível: a disputa pela atenção (e pela carteira) é intensa.

Formato físico continua a dominar

Um dos dados mais surpreendentes é a preferência pelo suporte tradicional: 67% dos jogadores dizem preferir o formato físico ao digital. Esta escolha revela uma ligação forte ao objecto - por hábito, pela facilidade de partilha e revenda, e também pelo prazer de coleccionar caixas e edições especiais.

Além disso, o físico continua a ter peso em contextos familiares e de oferta (aniversários, Natal), onde “entregar algo na mão” mantém um valor simbólico que o conteúdo exclusivamente digital nem sempre consegue igualar.

Um hábito enraizado no quotidiano francês

Seja no telemóvel para ocupar o tempo numa deslocação, num Mario Kart em noites entre amigos, num MMO para reencontrar a guilda ao final do dia, ou num Elden Ring para melhorar técnica e superar desafios, o videojogo está bem instalado nos hábitos em França - como diversão, como escape e como espaço social cada vez mais presente.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário