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PS5: Sony poderá ter de reembolsar 12 milhões de jogadores por abuso de posição dominante.

Homem segura comando de consola enquanto vê ecrã de computador com login de site, numa secretária com PlayStation 5.

Um processo judicial histórico no Reino Unido poderá obrigar a Sony a reembolsar milhões de jogadores PlayStation, depois de a empresa ser acusada de ter fechado o seu ecossistema para inflacionar artificialmente os preços dos jogos digitais.

A fabricante japonesa enfrenta uma ação que pode pôr em causa pilares importantes do seu modelo de negócio. No centro do caso está a alegação de abuso de posição dominante no mercado dos videojogos: segundo os queixosos, a Sony terá aproveitado a passagem acelerada para o digital para controlar o acesso ao mercado e limitar a concorrência.

Com a chegada da PlayStation 5, em especial a versão sem leitor de disco, a compra de jogos migrou em massa para o PlayStation Store. Para os autores da ação, é precisamente aqui que o problema se instala: a Sony imporia um “ecossistema fechado”, ao impedir a existência de plataformas concorrentes nas suas consolas. Na prática, argumentam, isto transformaria os utilizadores numa “classe cativa”, sem alternativas reais para comprar os mesmos conteúdos por outros canais.

Outro ponto-chave do processo é a comissão de 30% cobrada sobre cada compra digital, incluindo jogos e conteúdos adicionais. A queixa sustenta que este custo, considerado excessivo e desleal, acaba por ser transferido para o preço final pago pelos jogadores, uma vez que a ausência de concorrência impediria uma pressão efectiva para a descida de preços.

12,2 milhões de jogadores no Reino Unido abrangidos pela ação coletiva (opt-out)

A ação coletiva é liderada por Alex Neill, conhecido pela defesa dos consumidores, e funciona em regime de “opt-out”. Ou seja: qualquer pessoa no Reino Unido que tenha comprado um jogo digital PlayStation nos últimos dez anos fica automaticamente abrangida e poderá ter direito a indemnização se o tribunal der razão aos queixosos - a menos que peça, de forma expressa, para ser retirada do processo.

No total, estima-se que 12,2 milhões de jogadores estejam incluídos. Em termos de compensação, o valor apontado ronda 162 libras (cerca de 195 euros) por utilizador, o que poderia elevar o montante global da condenação até 2 mil milhões de libras esterlinas.

É também referido que, recentemente, o mesmo tribunal condenou a Apple por práticas consideradas semelhantes relacionadas com o App Store - um precedente que pode pesar no enquadramento do caso contra a Sony.

O que este processo pode significar para os preços digitais na Sony PlayStation

Se a ação for bem-sucedida, o impacto pode ir além dos reembolsos: o caso poderá abrir a porta a uma discussão mais ampla sobre como são definidos os preços no PlayStation Store, como se justifica a comissão de 30% e até que ponto um ecossistema fechado deve ser permitido quando limita a escolha do consumidor.

Para os jogadores, o tema é particularmente sensível porque o digital tem vindo a tornar-se a norma. Quanto maior for a dependência do PlayStation Store, mais relevantes se tornam questões como transparência de preços, condições de venda, descontos e a possibilidade (ou não) de existirem lojas alternativas na plataforma.

Sony defende o ecossistema fechado e a comissão de 30%

Do lado da Sony, a empresa garante que o seu modelo de distribuição é justificável por razões técnicas e económicas. Em primeiro lugar, argumenta que manter controlo total sobre a loja online é essencial para assegurar segurança e confidencialidade dos dados dos utilizadores. Na sua óptica, permitir lojas de terceiros poderia aumentar de forma significativa o risco de falhas de segurança e comprometer a integridade do serviço.

Em segundo lugar, a Sony invoca uma lógica de “subvenções cruzadas”. A empresa diz investir milhares de milhões no desenvolvimento de hardware avançado e, muitas vezes, vender as consolas com margens muito reduzidas - ou mesmo com prejuízo no lançamento. Nesse contexto, a comissão de 30% sobre vendas digitais seria uma forma de compensar esses custos e manter o ecossistema sustentável.

O julgamento, com duração prevista de dez semanas, tem início marcado para 10 de março.

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