Saltar para o conteúdo

"GTA Tóquio quase existiu": um programador da Rockstar faz uma revelação surpreendente sobre a saga

Homem entusiasmado a trabalhar na criação de videojogo de cidade futurista com dois ecrãs no escritório moderno.

GTA habituou-se a usar cidades norte-americanas como o seu grande parque de diversões. Ainda assim, houve um momento em que a série quase fez as malas e atravessou o Pacífico: um spin-off passado no Japão chegou a estar em cima da mesa, segundo revela um dos principais responsáveis técnicos dos capítulos mais marcantes da saga.

A possibilidade foi partilhada por Obbe Vermeij, director técnico de GTA 3, Vice City, San Andreas e GTA 4, numa entrevista ao GamesHub. De acordo com o programador, a equipa de Rockstar ponderou entregar a um estúdio externo o desenvolvimento de um jogo situado em Tóquio, usando o código-fonte disponibilizado pela casa-mãe.

“Houve vontade de levar a série para fora dos Estados Unidos (…). Tivemos ideias de um GTA no Rio de Janeiro, em Moscovo ou em Istambul. O GTA Tóquio quase aconteceu. Um outro estúdio no Japão iria fazê-lo, pegar no nosso código e criar GTA Tóquio. Mas, no fim, não avançou.”

GTA Tóquio: a série quase saiu dos Estados Unidos

A verdade é que colocar GTA fora do território norte-americano não seria algo inédito. Em 1999, o primeiro jogo recebeu uma expansão ambientada em Londres. No entanto, desde então, a Rockstar manteve-se firmemente ancorada em cidades inspiradas nos Estados Unidos.

Segundo Obbe Vermeij, as probabilidades de a franquia voltar a arriscar fora desse contexto são, hoje, muito reduzidas. A razão principal está na escala gigantesca que GTA ganhou ao longo dos anos - e no tempo de desenvolvimento cada vez mais longo, que torna arriscado apostar numa localização “menos universal” quando há tanto dinheiro em jogo.

A América é o epicentro da cultura ocidental; toda a gente conhece as cidades, mesmo que nunca lá tenha ido. Acho que não vai ser GTA Bogotá no próximo episódio, sobretudo tendo em conta o dinheiro envolvido. Não faz sentido focar uma cidade secundária só pela novidade. GTA Toronto? Isso não funcionaria. Não é realista. Eu adoraria - e se um jogo demorasse um ano a fazer, sim, dava para experimentar e divertir-nos. Mas não se faz isso quando um GTA sai de doze em doze anos. Não se vai andar a descobrir novas cidades. E nem é preciso, porque a tecnologia evolui muito depressa. Ninguém vai ignorar o GTA 6 só porque jogou Vice City; é totalmente diferente.

O futuro de GTA segundo Obbe Vermeij: segurança e um “circuito fechado” de cidades

Depois, Obbe Vermeij arrisca uma leitura do que poderá acontecer a seguir e defende que a Rockstar tenderá a jogar pelo seguro com a sua série mais emblemática.

“Provavelmente vão revisitar Nova Iorque, outra vez. Vão voltar a Los Angeles ou talvez a Las Vegas. Tenho receio de que estejam presos num ciclo que só inclui cinco cidades americanas. É aceitar.”

Há, ainda, um ponto importante para enquadrar o debate: GTA retrata cidades “quase fictícias”. Na prática, são paródias pouco disfarçadas de metrópoles reais dos Estados Unidos. Los Santos corresponde a Los Angeles, Liberty City funciona como uma versão de Nova Iorque, e o próximo capítulo, o muito aguardado GTA 6, regressa a Vice City, um pastiche de Miami.

Porque é que um GTA em Tóquio seria tão diferente?

Um hipotético GTA Tóquio não seria apenas uma troca de cenário: implicaria adaptar a identidade da série a uma cidade com outra arquitectura, outro ritmo e outras referências culturais. Ruas mais estreitas, zonas densas com grande verticalidade, transportes públicos omnipresentes e sinalética visualmente distinta exigiriam decisões de design diferentes das que funcionam em ambientes “à americana”. Isso poderia ser fascinante - mas também aumentaria o esforço de pesquisa, direcção artística e autenticidade, sobretudo num projecto com as ambições e expectativas que hoje rodeiam um novo GTA.

Também a componente de produção seria um desafio adicional: recolha de referências no local, consultoria cultural, gravação de ambientes sonoros e adaptação de sátira social a um contexto menos familiar para uma parte do público global. Numa série em que a leitura de cultura popular tem um papel central, mudar de país obrigaria a encontrar um novo equilíbrio entre credibilidade, humor e reconhecimento imediato.

Rumores, desejos da comunidade e o peso do calendário

A ideia de levar GTA para fora dos Estados Unidos reaparece com frequência em discussões de fãs, precisamente porque um novo jogo se tornou um evento raro e de enorme impacto. Mas quanto mais tempo um título demora a sair, maior é a pressão para “acertar” à primeira - o que, na visão de Obbe Vermeij, torna menos provável uma aposta em localizações fora do imaginário mais consensual. Nesse cenário, revisitar Liberty City, Los Santos ou Vice City acaba por ser, para a Rockstar, uma decisão mais previsível e comercialmente segura.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário