O estúdio polaco CD Projekt decidiu afastar-se da plataforma GOG, conhecida por disponibilizar muitos clássicos de PC - além de alguns lançamentos mais recentes - e por defender uma distribuição sem DRM. A operação permitirá à empresa concentrar recursos nos seus próprios jogos.
A notícia agitou o sector: a CD Projekt confirmou a venda da GOG por pouco mais de 25 milhões de euros, passando a plataforma para Michał Kiciński, cofundador do grupo.
GOG torna-se independente com Michał Kiciński após a saída da CD Projekt
Kiciński, que já era o accionista maioritário, ficou agora com 100% da GOG. Segundo a CD Projekt, trata-se de uma separação feita em bons termos e com um objectivo claro: libertar a estrutura interna para se dedicar aos projectos em desenvolvimento - nomeadamente as continuações de The Witcher e o novo capítulo de Cyberpunk. Nas palavras de Michał Nowakowski, CEO do estúdio:
«Há algum tempo que a GOG funciona de forma independente. Agora, está em boas mãos. Estou confiante de que, com o envolvimento de Michał Kiciński, um dos cofundadores da GOG, o futuro será feito de grandes projectos e sucessos. Queremos agradecer às equipas da GOG por todos estes anos de colaboração frutuosa e desejar-lhes o melhor. E à comunidade GOG dizemos “até já”, porque os nossos próximos títulos irão, naturalmente, ser lançados também lá.»
O que é a GOG (Good Old Games) e porque se distingue da Steam
A GOG (Good Old Games) é uma loja digital com um funcionamento semelhante ao da Steam, mas com uma identidade muito própria. A plataforma aposta fortemente em:
- Preservação de jogos antigos de PC, ajustados para correrem em configurações modernas;
- Distribuição sem DRM, ou seja, sem mecanismos de controlo impostos pelo editor - um posicionamento ético valorizado por muitos jogadores.
Até agora, a GOG pertencia à CD Projekt e servia tanto para vender títulos de estúdios parceiros como para publicar os seus próprios jogos, incluindo The Witcher e Cyberpunk 2077.
Sem DRM: quando o jogo é realmente teu
A filosofia “sem DRM” da GOG parte de uma ideia simples: quando compras um jogo, ele passa a ser teu. Em termos práticos, isso significa que podes descarregar o título para o teu PC, instalá-lo e mantê-lo sem depender de validações constantes do editor.
Em plataformas como a Steam ou a Epic Games Store, pode acontecer que um editor limite funcionalidades, altere condições de acesso ou até retire um jogo do catálogo. Na GOG, esse tipo de interferência tende a não existir da mesma forma - o que reforça o seu papel como “porto seguro” para quem valoriza a preservação e o acesso contínuo aos jogos.
O que muda para os jogadores (e o que não muda)
Para o público, a expectativa é de continuidade: a experiência deverá manter-se como os utilizadores a conhecem - prática, ética e com especial atenção à preservação de clássicos do PC, quer tenham sido marcos do meio, quer tenham passado mais despercebidos na altura.
Como medida de prudência - útil em qualquer loja digital - é boa prática descarregar e guardar instaladores offline quando disponíveis, sobretudo para títulos antigos. Isto ajuda a garantir acesso a longo prazo, mesmo que um dia mudem políticas, aplicações ou requisitos técnicos.
Da criação em 2008 ao estatuto de referência na preservação
A GOG nasceu em 2008, sob a alçada da CD Projekt, quando a empresa ainda era relativamente pequena e tinha alcançado um sucesso inicial com The Witcher no PC. Ao longo dos anos, a plataforma foi ganhando dimensão e tornou-se uma escolha frequente para quem se preocupa com a preservação da sua biblioteca digital.
Com a independência agora formalizada, a missão mantém-se: a GOG continuará a investir na preservação e na distribuição sem DRM - apenas deixa de o fazer como parte directa da CD Projekt.
O foco da CD Projekt: The Witcher e o próximo Cyberpunk
Do lado da CD Projekt, a mensagem é de concentração estratégica. Ao vender a GOG, o estúdio pretende canalizar energia para as suas grandes séries, com destaque para novas entradas de The Witcher e para o próximo projecto do universo Cyberpunk, após Cyberpunk 2077.
Num mercado cada vez mais dominado por ecossistemas fechados e dependência de serviços, a continuidade de uma plataforma com a proposta da GOG - agora como entidade autónoma - mantém-se particularmente relevante para jogadores que dão prioridade à propriedade, ao acesso offline e à conservação do património dos videojogos no PC.
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