Valve surpreendeu no fecho do ano com um anúncio que poucos antecipavam: a empresa por detrás da Steam revelou três novos produtos de hardware, incluindo uma consola para a sala.
Steam Controller, Steam Machine e Steam Frame são os três nomes que podem abalar o sector dos videojogos. Numa comunicação liderada por Gabe Newell, presidente da Valve, a empresa confirmou a expansão do seu portefólio:
“Ficámos muito satisfeitos com o sucesso do Steam Deck, e os jogadores de PC têm pedido cada vez mais formas de usufruir da sua biblioteca Steam.”
É precisamente com essa ambição - dar mais caminhos para aceder aos jogos - que a companhia sediada em Bellevue alarga o seu ecossistema, apoiando-se no SteamOS, o seu sistema operativo optimizado para jogar.
Steam Frame: realidade virtual acessível e versátil
A primeira grande surpresa chama-se Steam Frame: um headset de realidade virtual extremamente leve, com 185 g no módulo principal e 440 g com todos os acessórios. No interior, integra um Snapdragon 8 Gen 3 apoiado por 16 GB de RAM e até 1 TB de armazenamento. A correr SteamOS, foi pensado não só para VR, mas também para permitir acesso ao catálogo Steam em modo autónomo ou ligado (consoante a utilização).
No ecrã, a Valve aposta em dois painéis LCD com 2160 × 2160 píxeis por olho, taxa de actualização até 144 Hz e um campo de visão amplo de 110°. A ficha técnica inclui ainda seguimento de movimentos em seis eixos, eye tracking para optimização do renderizado de vídeo, Wi‑Fi 7, áudio integrado, uma bateria de 21,6 Wh e compatibilidade com uma nova família de controladores com sensores hápticos e sticks magnéticos.
A proposta do Steam Frame é tornar a realidade virtual tão directa quanto o jogo de PC tradicional - tanto em sessões a solo, em modo autónomo, como em streaming a partir de um PC.
Um ponto particularmente relevante para quem joga durante longos períodos é a ergonomia e o conforto: o foco no peso (especialmente nos 185 g do módulo principal) sugere uma tentativa clara de reduzir fadiga, algo crucial para experiências VR mais prolongadas, onde estabilidade, encaixe e distribuição do peso fazem toda a diferença.
Steam Machine: o mini‑PC de sala que quer destronar as consolas de sala
A Valve volta a apostar no conceito de PC de sala para disputar espaço com as consolas da Sony, Xbox e Nintendo - mas agora com uma abordagem bem mais assertiva. A Steam Machine é apresentada como um cubo com 16 cm de lado, equipado com um processador AMD Zen 4 personalizado, uma GPU RDNA3, 16 GB de DDR5 e até 2 TB de SSD. A meta é ambiciosa: correr toda a biblioteca Steam, incluindo jogos em 4K a 60 fotogramas por segundo, apoiando tecnologias como ray tracing e FSR.
Entre os argumentos do mini‑PC estão a compatibilidade nativa com a nova Steam Controller e conectividade Wi‑Fi 6E. A Steam Machine chega também com “muitos portos” (ligações físicas) e uma barra LED personalizável. A Valve acrescenta ainda uma garantia importante: todos os jogos certificados para Steam Deck deverão funcionar perfeitamente. Depois de anos de expectativa, a promessa de um “verdadeiro” PC de sala - pronto para tudo e sem os compromissos associados às Steam Machines antigas - parece, desta vez, estar no ponto.
Para o utilizador, isto também pode significar uma transição mais suave entre formatos: começar um jogo no PC, continuar na sala na Steam Machine e manter biblioteca, definições e progresso dentro do mesmo ambiente Steam, reforçando a ideia de ecossistema unificado sem fechar portas a configurações e preferências típicas do PC.
Steam Controller da Valve: a “manete” definitiva no ecossistema Steam?
O terceiro elemento do anúncio é a nova Steam Controller, que recupera várias ideias do Steam Deck e adiciona novidades centradas na resposta e na precisão. Entre os destaques estão uma ligação sem fios proprietária “da casa” com latência máxima de 8 ms, sticks magnéticos, sensores de pressão e movimento, grips sensíveis, háptica avançada e uma autonomia anunciada de mais de 35 horas. Em compatibilidade, a Valve aponta um espectro amplo: PC, Mac, Steam Deck, Steam Machine, Steam Frame e smartphones via Steam Link.
Desenvolvida para manter controlo rigoroso tanto em jogos de PC tradicionais como em experiências VR, a Steam Controller quer posicionar-se acima de alternativas como a DualSense ou o comando Xbox - e, ao mesmo tempo, reforçar a coesão de um ecossistema Steam que fica mais uniforme do que nunca.
Lançamento global no início de 2026
A Valve já confirmou que os três produtos terão lançamento mundial. Steam Controller, Steam Machine e Steam Frame serão vendidos nas mesmas regiões do Steam Deck: Estados Unidos, Canadá, Europa, Austrália, Japão, Coreia do Sul, Hong Kong e Taiwan. As vendas arrancam no início de 2026, e mais pormenores sobre preços e primeiras entregas deverão chegar no começo do próximo ano. Para já, já é possível adicioná-los aos favoritos na Steam.
Este lançamento triplo - inesperado - vem agitar o mundo dos videojogos. Nintendo, Sony e Microsoft têm motivos para ficar atentas? Enquanto as consolas tradicionais continuam a apostar fortemente em exclusivos e ecossistemas fechados, a Valve apresenta uma alternativa aberta, modular e altamente ligada, centrada no jogo, na inovação de hardware e na liberdade de utilização. Falta perceber se o público vai aderir em massa.
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